Cinema fantástico invade Porto Alegre

O cinema fantástico tomou conta da capital gaúcha com o XII Fantaspoa. Até o dia 29 de maio, mais de 100 títulos serão exibidos nos cinemas Cine Bancários, Cine Santander Cultural e Cine Capitólio. Neste ano, o festival homenageia o ator espanhol Antonio Mayans, que possui na bagagem a participação em mais de 150 filmes.

As produções nacionais têm espaço reservado. Títulos como “Espelho da Carne”, de Antonio Carlos Fontoura; “Fica Comigo Esta Noite”, de João Falcão; e “Finis Hominis”, de José Mojica Marins, conhecido como Zé do Caixão, são alguns dos longas brasileiros na programação.

Em 2014, o evento apresentou o primeiro filme produzido pela Fantaspoa Produções: “Jorge e Alberto Contra os Demônios Neoliberais”. A iniciativa se consolida a cada ano no calendário dos eventos culturais do país e dos festivais de cinema de gênero do mundo. Confira a programação completa aqui. Os ingressos custam o valor único de R$ 10.

Anúncios

Saúde x frio: mitos e verdades sobre as gripes

Com a chegada do frio, começam as alergias e doenças respiratórias. Espirros e dores de garganta são comuns e causam preocupação. Segundo o Ministério da Saúde, o número de pessoas contaminadas pela H1N1 no Brasil ultrapassa mil e são contabilizadas 150 mortes. Mas é preciso ter cautela para não confundir a gripe comum com a gripe H1N1.

Confira sete mitos e verdades sobre as gripes:

  1. Tomar vacina há um ano e não precisar mais: O vírus pode sofrer mutação, o que demanda análise da vacina por parte dos laboratórios. O ideal é procurar o médico e conversar sobre a necessidade ou não de reforço da dose.
  2. Estar grávida e, por isso, não poder tomar a vacina: Mulheres grávidas ou que já estão amamentando podem tomar a vacina, independente da idade gestacional. Contudo, é necessária a autorização do obstetra.
  3. Usar erva-doce em vez do Tamiflu para combater a gripe: Essa história surgiu devido ao composto anis estrelado que está presente na erva-doce e também no medicamento. Porém o anis usado no Tamiflu é extraído de uma planta chinesa e não é semelhante ao encontrado no Brasil. Pode-se consumir o chá normalmente, pois tem uma ação expectorante, tônica e calmante, mas não substitui o tratamento medicamentoso.
  4. Gripe e resfriado estão relacionados diretamente com o frio: As infecções não têm relação com o clima ou exposição às baixas temperaturas. Somente se contrai o vírus no contato com pessoas e/ou objetos contaminados.
  5. Beber muita água ajuda a melhorar o quadro: Sintomas comuns como tosse, coriza ou nariz entupido melhoram com a ingestão de água. Além de ajudar a umedecer as secreções para que sejam expelidas, o hábito auxilia no controle da febre.
  6. Alho é eficaz no combate à gripe: Ele não tem poder de curar a gripe, mas possui componentes como a alicina, com ação anti-inflamatória e antibacteriana.
  7. Hábitos comuns ajudam na prevenção: Beber muita água, alimentação balanceada e equilibrada, lavar as mãos, lavar o nariz com soro fisiológico e evitar ambientes fechados são atitudes que podem ajudar a se prevenir da gripe.

 Conheça as diferenças entre a gripe comum e a H1N1:

untitled-creation62248

 Fontes: tuasaude.com; uol.com.br/vyaestelar e noticias.uol.com.br/saude.

Foto nossa de cada dia

Desenvolvido em 2010 pelo americano Kevin Systrom e o brasileiro Mike Krieger, o Instagram foi criado para ser uma rede social que publica fotos online e possibilita o compartilhamento desses arquivos em outras redes como Facebook, Twitter e Tumblr. O programa também suporta vídeos de até 15 segundos e gifs. Em 2011, recebeu o título de “Aplicativo do ano” pela Apple.

Com plataforma disponível para os sistemas iOS, Android e Windows Phone, o “Insta”, como é chamado por muitos adeptos, registra mais de 400 milhões usuários, destes 27% são americanos. No Brasil, a rede atingiu 29 milhões de downloads, o que representa 7,25% dos clientes e torna o país o segundo maior usuário do programa no mundo. Aproximadamente 20% das pessoas com acesso à internet utiliza o programa. Estima-se que mais de 80 milhões de fotos são compartilhadas no Instagram diariamente.

Estrelas pop dominam a rede

De acordo com o jornal britânico Telegraph, o perfil com mais curtidas do Instagram é o da cantora e atriz da Disney Selena Gomez. Em segundo lugar, está a cantora pop Taylor Swift, em terceiro, a socialite Kim Kardashian, em quarto, a cantora e também atriz da Disney Ariana Grande e em quinto, a cantora de R&B Beyoncé Knowles.

Dentre as dez fotos mais curtidas do aplicativo estão três imagens de Taylor e três da família Kardashian/Jenner. A foto mais curtida da rede foi da modelo Kendall Jenner usando um vestido de noiva e deitada com o cabelo em formato de corações, que rendeu mais de 3,5 milhões de likes e ultrapassou a imagem do casamento da irmã Kim Kardashian, antes campeã com 2,5 milhões de likes.

Filhos são responsáveis pela edição

Com a proposta de capturar momentos e expressar a criatividade, em 2014 o Instagram lançou o Hyperlapse, aplicativo que faz vídeos acelerados, no estilo timelapse. No ano seguinte, o Layout, ferramenta que permite fazer montagem de fotos, na qual o usuário também pode espelhar ou inverter a imagem. Também em 2015, a empresa apresentou o Boomerang. O app tira fotos em sequência e, a partir delas, cria um gif. Todos podem ser compartilhados no Instagram e em outras redes sociais.

Em busca de medalhas

A largada para as Olimpíadas 2016 já foi dada pela equipe da Sogipa. Os técnicos estão preparando os competidores para disputar vagas e garantir o bom desempenho durante a competição. Por meio da Lei Federal do Esporte, a Sulgás é patrocinadora da equipe, contribuindo na busca por um lugar no pódio.

Segundo o vice-presidente de esportes da Sogipa, Alexandre Algeri, o clube porto-alegrense é o maior em medalhas olímpicas do país. “Existem trabalho e planejamento com competência e um pouco de sorte aliadas”, declara. A Sogipa disponibiliza aos atletas uma equipe multidisciplinar com treinadores, fisioterapeutas, fisiologistas, nutricionistas, psicólogos e também com atendimento em um centro médico.

Com o apoio da Sulgás e de outras empresas, a instituição pode oferecer aos esportistas: moradia, alimentação, condição para intercâmbios e viagens em âmbito nacional e internacional. “A nossa diferença com relação aos outros clubes do Rio Grande do Sul é que os nossos atletas buscam por medalha, não lutam apenas por participar de uma Olímpiada. Já estão em outro nível de capacitação”, diz Alexandre.

Atletismo e judô

A equipe do atletismo se prepara intensamente para disputar as vagas para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Para potencializar o desenvolvimento dos competidores, a Sogipa instalou uma pista apropriada para corrida, aparelhos para verificar velocidade, biomecânica e contato dos pés com o solo e esquema de visualização de vídeos.

O fato de a competição acontecer em solo brasileiro é um ponto em destaque para Leonardo Ribas, treinador de atletismo do clube. “Participar de Jogos Olímpicos é difícil, mas na sua casa é ainda mais raro de acontecer. Eles vão sofrer mais pressão, mas, por outro lado, estarão mais ambientados com o clima, e a torcida vai estar a favor deles”, afirma. Os atletas consagrados do judô na Sogipa estão em busca de vitórias com quatro judocas prontos para disputar medalhas. Os treinamentos rígidos de técnica e tática preparam os jovens para subir ao pódio no Rio de Janeiro.

Segundo Antonio Carlos de Oliveira Pereira, conhecido como Kiko Pereira, treinador de judô da Sogipa, a expectativa de conquistar medalhas nas Olimpíadas é positiva, destacando a dedicação dos atletas para ficarem entre os primeiros. “Eles são profissionais, só pensam nisso, só fazem isso. O esporte olímpico trabalha de quatro em quatro anos com o foco total.”

atletismo (35 of 53)O atleta Pedro Burmann já confirmou presença nas Olimpíadas 2016 na categoria 400 Metros Rasos. Com uma rotina de treinos intensos no atletismo, prepara-se para buscar a classificação no individual. Pedro começou a correr ainda na época da escola e, após encerrar os estudos, participou de testes na Sogipa para se tornar um esportista do clube. O atleta passou por várias modalidades até se encontrar no atletismo. “Eu sempre fiz muita coisa, já fui ciclista, lutava taekwondo e depois o atletismo. Bastante tempo da minha vida é voltado ao esporte”, diz. O esportista percebeu que o atletismo seria sua carreira logo no primeiro ano treinando no clube. “Eu não treinava tanto, mas mesmo assim consegui ir bem em algumas competições e vi que se eu me dedicasse mais conseguiria ir para frente.”

A judocaJUDO-48 Maria Portela está preparada para disputar lugar nas Olimpíadas 2016. Com treinos diários na categoria Peso Médio -70kg, a esportista mantém uma rotina focada na competição. O primeiro contato com o esporte foi ainda na escola, em Santa Maria (RS). “Eu e meu irmão começamos e, desde então, não parei mais. Treinei em vários núcleos até o ponto em que decidi que o judô seria minha profissão”, relata. Maria participou das Olimpíadas 2012, em Londres, mas não conquistou medalhas. “Acabei não me preparando para esse grande evento como deveria. Agora está sendo diferente, porque o Brasil já tem vagas garantidas e eu estou na disputa com outra brasileira”, diz. Sobre a expectativa de medalha, Maria afirma que ter a torcida a favor contribui para um desempenho melhor. “Acredito na minha classificação e, mais ainda, na conquista da minha medalha olímpica”, conclui.

_MG_3491Rochele Nunes, judoca que busca a classificação nos Jogos Olímpicos na categoria Pena +78kg, pratica o esporte desde os 8 anos. O judô se tornou “coisa séria” para ela aos 16 anos, quando percebeu que abria mão de atividades com amigos e família para se dedicar à modalidade. Sobre a classificação, Rochele destaca que atualmente é a primeira no ranking do Brasil. “Eu me sinto hoje mais preparada do que antes. Eu competi bastante, tive boas oportunidades e agora vou ver mais resultados.”

atletismo (40 of 53)Na disputa por uma vaga nas Olimpíadas, o atleta Anderson Freitas Henriques retorna às pistas para buscar a melhora das marcas na categoria 400 Metros Rasos. Afastado por lesão nos dois pés, o esportista se diz recuperado e disposto a se dedicar o máximo possível para alcançar os resultados. “Eu estou me sentindo bem e conseguindo voltar bem rápido pelo tempo que eu fiquei parado”, afirma. Natural de Caçapava do Sul (RS), Anderson começou a dar os primeiros passos no esporte com 14 anos na escola onde estudava. Ele percebeu que o atletismo poderia ser sua carreira quando passou a receber o reconhecimento pelas suas marcas. “No primeiro ano, já consegui ficar entre os dez do mundo na minha categoria e já começaram a vir bonificações tanto do clube quanto fora.”

JOGOS OLÍMPICOS 2016

  • Quando: 5 a 21 de agosto
  • Onde: Rio de Janeiro
  • São disputadas: 306 medalhas de ouro
  • Categorias: 42 esportes

Matéria produzida pela Stampa e publicada na revista Sulgás Natural, ed. 9, da Sulgás. 

A veracidade por trás de abril

Foto: Fotolia.

Hoje é o Dia da Mentira, mas você sabe qual é a origem da data? Pois bem, os primeiros registros são documentados na França do século XVI, quando o Ano Novo era festejado com a chegada da primavera, em 25 de março. Como as festas duravam uma semana, o 1° de abril ficou conhecido pela celebração.

Em 1562, o papa Gregório XIII instituiu o calendário gregoriano e, em 1564, o rei Carlos IX determinou que a festa fosse comemorada em 1° de janeiro, acompanhando a decisão papal. Muitos franceses recusaram a nova data e passaram a ser ridicularizados, recebendo presentes inóspitos e convites para festas inexistentes.

Na Inglaterra, o jornal The Guardian mantém em seu site os registros de pegadinhas feitas no Fools’ Day desde 1974. Dentre as “legítimas” histórias estão desde fotos do monstro do lago Ness até a comprovação de que espaguete nasce em árvores.

No Brasil, o primeiro gracejo conhecido é de 1848, quando um periódico chamado A Mentira noticiou a morte do então imperador, Dom Pedro II. Outra brincadeira nacional que chamou a atenção foi a edição do jornal Cruzeiro do Sul de 1999, que exibiu na capa o Oscar de Fernanda Montenegro e a elevação do salário para R$ 3 mil.

Em 2016, a brincadeira mais popular é a liberação de todas as temporadas de Game of Thrones da HBO no Netflix, o que causou certo furor nas redes sociais. Entretanto, se você assiste ao Game of Thrones S01E01 – O Muro dá de cara com Glauber, o Tijolo.

Batman vs Superman: A Origem da Justiça

Por Carlos Redel, jornalista, cinéfilo e comentarista do canal Bode na Sala

Foto: Divulgação.

O Superman dos anos 1970, estrelado por Christopher Reeve, e o Batman criado por Tim Burton e protagonizado por Michael Keaton, do final dos anos 1980, mostraram que a DC Comics era a companhia de histórias em quadrinhos que estava por cima nos cinemas. A Marvel, por sua vez, engatinhava na sétima arte. No entanto, há menos de 10 anos, o jogo virou. A Casa das Ideias estabeleceu seus heróis nas telonas e virou referência em filmes do gênero. Acertando em, praticamente, todos os seus projetos.

Na DC, Christopher Nolan e sua trilogia do Cavaleiro das Trevas conseguiu fazer a empresa sentir, novamente, o gosto do sucesso, depois de anos sem um grande destaque (e diversos fracassos). Querendo um pouco do sucesso de sua rival, foi entregue a Zack Snyder o projeto de levar o Homem de Aço de volta às telonas. Mesmo com algumas polêmicas e erros, o filme foi responsável por abrir as portas para o universo da DC Comics no cinema.

Embora sem um sucesso estrondoso de crítica e bilheteria de Homem de Aço, a empresa ficou satisfeita e anunciou um ousado e promissor projeto: Batman vs Superman: A Origem da Justiça. Rapidamente, se tornou um dos filmes de super-heróis mais aguardados dos últimos tempos.

Com um orçamento de US$ 250 milhões e um marketing estimado em US$ 150 milhões, o filme tinha a responsabilidade de ser sequência de Homem de Aço e dar seguimento à história de Batman (tudo isso com muito lucro, obviamente). A origem do Homem Morcego se manteve praticamente a mesma, mas, para o diretor, foi necessário contá-la novamente (sério?), para que o público compreendesse que a trilogia de Nolan estava acabada. Além disso, o filme teve que apresentar os membros da futura Liga da Justiça focando, principalmente, na Mulher Maravilha. Era bastante coisa para apenas um filme e isso teve um custo: 151 minutos de duração.

Recheado de câmeras lentas e um visual incrível, Batman vs Superman não foge das características de seu diretor. Porém durante toda a sua duração o filme sofre com um sério problema de foco agravado por um fraco roteiro. Para dar conta de tudo, muitas histórias são jogadas na tela (a maioria desnecessária, diga-se de passagem) e, por consequência, precisam ser resolvidas rapidamente. É muita ambição para apenas um longa-metragem.

No elenco principal, Henry Cavill retorna ao papel de Superman. Como em seu filme solo, consegue atender às necessidades básicas do personagem, sem apresentar grande performance, mas isso não prejudica. Ben Affleck, que foi fortemente criticado ao ser escalado para viver o novo Homem Morcego, se destacou no filme. Não seria injustiça afirmar que seu Batman foi, até o momento, o melhor representado no cinema. O último ponto deste triângulo de super-heróis traz a Mulher Maravilha, vivida por Gal Gadot. A atriz israelense se sai bem no papel. A personagem, porém, é descartável dentro da história de Batman vs Superman.

O grande embate entre os dois heróis que o título sugere é bem realizado, apesar de curto. A justificativa para que seja uma luta “justa” é bem-apresentada e as referências às HQs são bem-feitas. Tudo estilizado. A resolução da briga, por sua vez, é lamentável e pobre. Mesmo com muitos minutos de projeção, tudo precisa ser resolvido rapidamente e isso prejudica bastante o ponto mais alto do longa. A mudança abrupta no comportamento dos personagens é irritante.

Como apresentado nos trailers, os dois heróis que estavam em guerra se juntam com a Mulher Maravilha para um bem maior: derrotar Apocalipse, que foi criado pelo exagerado Lex Luthor (Jesse Eisenberg). O monstro é um dos grandes vilões de Superman e, como tudo, precisa ser finalizado de maneira breve, sem deixar de ser o ponto principal do sacrifício máximo do herói.

Todo o elenco de apoio está muito bem. Amy Adams, mais uma vez, dá vida à constante donzela em perigo Lois Lane; Diane Lane retorna como Martha Kent, que se torna um dos personagens cruciais da história; o Perry White de Laurence Fishburne, apesar de pouco tempo de tela, cumpre novamente bem o seu papel; e Jeremy Irons estreia em grande estilo como um Alfred que é muito mais que apenas um mordomo.

Por fim, entre diversos erros e acertos, Batman vs Superman abre as portas para um novo universo compartilhado de heróis no cinema. Não é ruim como muitos pintaram, mas não é excelente. Seus problemas, apesar de grandes, ainda podem ser reparados nos filmes futuros. As ambições de Snyder, da Warner e dos produtores eram grandes demais para apenas um filme. Mesmo assim, ainda é possível ficar entusiasmado e esperar com ansiedade pelos próximos longas. Afinal, quanto mais filmes de super-heróis, melhor.

Nota: 7/10

Sofar Sounds: música independente em local intimista

Já pensou ir a um show sem saber quais são os artistas que irão se apresentar e receber a informação do local apenas 48 horas antes do evento? Parece confuso, mas não é. Esse é o projeto Sofar Sounds, que busca levar som independente, sem custo, aos apreciadores de música.

A iniciativa foi criada em 2009, em Londres, para organizar shows em ambientes diversos, como casas, ateliês, galerias, entre outros. Em Porto Alegre, alguns dos locais escolhidos para as apresentações foram o Estúdio Gorila e o Galpon, ambientes intimistas que aproximam os ouvintes e os artistas. Os shows começaram a acontecer no Brasil em 2012.

O Sofar reúne de três a cinco bandas independentes para o show. Os interessados devem fazer uma inscrição, pois o número de lugares é limitado, e aguardar ser selecionado. Após, a equipe da organização envia o comunicado de onde será o local. Os participantes só ficam sabendo quem irá tocar na hora do show. No site www.sofarsounds.com.br, qualquer pessoa pode oferecer um espaço para as apresentações ou se colocar à disposição para ser chamado.

Folk do Gelpi no Sofar Sounds

A banda gaúcha Acústico Gelpi participou do Sofar Sounds no dia 28 de fevereiro junto às bandas independentes Grass Effect e Violeiro Só. O grupo é composto por Bolívar Gelpi, Laura Gelpi, Pedro Gelpi, Erik Feller, André Menna, Francisco Gonzaga, Fabiano Fava e Rodrigo Scopel. “A banda aproxima a sonoridade do folk, do blues e do rock”, define Bolívar.

Sobre o Sofar Sounds, Bolívar destaca: “Participar de um projeto como esse é muito significativo para o crescimento e reconhecimento de uma banda. Como todas as composições do Gelpi são em inglês, o envolvimento em projetos internacionais é essencial para a divulgação e conquista de mercado em outros países”. Ele afirma que a repercussão foi positiva após a apresentação. “Recebemos muitos feedbacks das pessoas e da produção. O vídeo da participação está sendo produzido e logo estará disponível no canal do Sofar Sounds. No momento, gravamos uma música própria chamada ‘Spaceships’, que fará parte do primeiro disco da banda”, aponta.

Em julho de 2015, a Acústico Gelpi lançou seu primeiro single chamado “Easier”. O primeiro álbum tem previsão para sair em abril deste ano. Com instrumentos como o banjo country americano, violino, lapsteel, trompete e mandolin, o grupo apresenta músicas de diversos artistas do cenário internacional, além das próprias composições. Bolívar identifica como as principais referências as bandas Mumford and Sons, Of Monsters and Man, Boy and Bear, Current Swell e clássicos como Bob Dylan, Muddy Water e Jhonny Cash.

Rolling Stones fazem chover em Porto Alegre

Por Lucas Vidal, jornalista.

Foto: Mick Jagger.

O intenso calor que marcou o verão porto-alegrense nas últimas semanas de fevereiro nada tinha a ver com o show que ocorreria no começo de março, no Estádio Beira-Rio. Ingleses, os quatro membros dos Rolling Stones se encarregaram de trazer consigo um clima bem mais ameno. O vento da noite anterior à apresentação já era um sinal de que Keith Richards, Mick Jagger, Charlie Watts e Ronnie Wood haviam chegado. “Estamos respirando o mesmo ar que eles”, orgulhavam-se os fãs do grupo no fim da tarde de terça-feira. Para se tornar a capital mundial do rock por uma noite, Porto Alegre precisou, literalmente, entrar no clima do país de onde saíram as duas maiores e mais influentes bandas do gênero: Beatles e Rolling Stones.

Os septuagenários (com exceção de Ron, que tem 68) entraram no palco exatamente às 21 horas, como estava prometido no ingresso, adquirido pela maioria das pessoas ainda no ano passado. Diferente do que ocorreu em maior parte dos shows da América Latina Olé Tour, que já passou por Chile, Argentina e Uruguai, a banda começou a apresentação com Jumpin’ Jack Flash (single de 1968). Já nos primeiros acordes, a sensação de que valeu cada centavo investido toma conta dos fãs que aguardaram tanto tempo para ver os Rolling Stones em solo gaúcho.

Jumpin’

O vocalista Mick Jagger assume o controle do público e toma conta do palco com a naturalidade adquirida em mais de cinco décadas de carreira. O frontman cantou “I was born in a crossfire hurricane” (primeira frase de Jumpin’…) mexendo seu finíssimo e malhado quadril, apontando o dedo indicador para o público e andando incansavelmente de um lado para o outro, sem parar. Ele agiu exatamente da mesma forma que os fãs se acostumaram a ver nas gravações de shows durante 50 anos. Depois de décadas assistindo pelas telas (da minúscula televisão em preto e branco, passando pelas fitas de vídeo e pelo DVD até chegar ao tablet), os fãs finalmente tiveram a honra de presenciar tudo.

Out of Control

“It’s only rock’n roll (but I like it)”, canta Mick no refrão da segunda música do set list, do álbum homônimo de 1974. A chuva, convocada pelos ingleses para abrilhantar a espetáculo, deu poucas tréguas ao longo da noite. Tumbling Dice é a solitária representante daquele que talvez seja o principal disco do grupo, Exile on Main St. (1972). A irregular Out of Control, a quarta a ser executada, extraída do disco Bridges do Babylon, de 1997, é a única escolha questionável. É no mínimo estranho os Rolling Stones incluírem essa música e se esquecerem de um punhado de gravações brilhantes de sua era de ouro (de 1965 a 1978). Porém o escorregão (se pode ser chamado assim) fica longe de comprometer. O refrão “Now I’m out… Oh out of control… Oh help me now” chega a empolgar.

Let’s Spend The Night Together

O álbum Between The Buttons, de 1967, foi representado por duas das mais icônicas músicas da banda. A primeira foi Let’s Spend The Night Together, anunciada por Mick Jagger em bom português: “A próxima música foi escolhida por vocês” (foi realizada, pelo site oficial e pelos perfis da banda nas redes sociais, uma votação entre quatro canções. A vencedora foi Let’s Spend…). A outra do disco de 1967 foi Ruby Tuesday, a surpresa da noite. Em todos os outros espetáculos da turnê, a balada, nessa parte do set list, foi Angie (Goats Head Soup, 1973) ou Wild Horses (Sticky Fingers, 1971). Daquelas que parecem ter sido feitas para serem tocadas ao vivo, Paint It Black (Aftermath, 1966) foi, talvez, o momento de maior emoção. Compôs, com as duas anteriores, o maior momento do show. Sintonia absoluta de vozes. O entusiasmo era tanto que tomava os ocupantes das derradeiras cadeiras do estádio, passando por quem estava na pista e inundando os músicos de água e de reconhecimento.

You Got the Silver

Depois de uma acelerada Honk Tonk Woman (Single de 1969), a primeira e melhor parte do show é encerrada com Keith Richards nos vocais. Durante toda a turnê, o mítico músico cantou duas dentre cinco opções. Em Porto Alegre, ele preferiu a balada You Got the Silver (Let It Bleed, 1969), quando ele e Ronnie protagonizam uma bela troca de olhares, cada um empunhando um violão, e Before They Make Me Run. Richards, totalmente à vontade no palco, estabelece uma comunicação com o público em que o fio condutor é a música, aliada a postura despojada e absurdamente simpática do guitarrista e vocalista. Impossível conter as lágrimas diante de uma figura sem a qual o rock’n’roll não seria como o conhecemos nos dias de hoje. Jagger, mesmo com toda a sua presença de palco e talento performático, jamais alcança uma relação de tanta intimidade com o público.

Aí, gurizada”

Mick Jagger falou em português frases como: “aí, gurizada”, “me disseram que as mulheres gaúchas são as mais lindas do Brasil” e “nós vimos o pôr do sol de mãos dadas”. Mantém, dessa forma, a tradição de artistas internacionais que estiveram no Brasil, com a exceção de Bob Dylan, que nunca faz questão de ser simpático. Quem acompanha a carreira dos Rolling Stones sabe que a segunda metade do espetáculo é totalmente previsível. A acusação de que a banda é, há pelo menos 20 anos, cópia de si mesma, talvez seja embasada nessa parte final. A já antiga versão estendida e arrastada de Midnight Rambler (Let it Bleed, 1969), acompanhada do aumento considerável da chuva (não precisavam exagerar, Stones!), fez com que o público ficasse um pouco desatento, perdesse o ritmo. Poucos conseguiram acompanhar. Ao contrário do que aconteceu em Buenos Aires, quando o público “cantou” até os solos da guitarra de Midnight…

Miss You

A alongada Miss You (Some Girls, 1978), por sua vez, é entoada como hino por um ensopado e enlouquecido Beira-Rio lotado. Foi um dos principais momentos de interação entre Jagger e o público. Sensível à situação, o vocalista diz, mais uma vez no idioma local: “Vocês cantam muito bem”. Ovacionados, os Stones emendam Gimme Shelter (Let It Bleed, 1969), o momento em que a backing vocal Sasha Allen torna-se protagonista. Jagger e ela, ambos vestindo preto dos pés à cabeça, dividem os vocais, dançam, sensualizam. Seguem com uma trinca envolvente formada por Start Me Up (Tattoo You, 1981), Sympathy For the Devil (Beggars Banquet, 1968) e Brown Sugar (Sticky Fingers, 1971). O refrão dessa última é outro ponto crucial da noite. Público e banda, incansáveis, cantam juntos, com todo o potencial. Mick Jagger agradece, e os Rolling Stones vão embora do palco.

You Can’t Always Get What You Want

Como de costume, voltam para o bis. You Can’t Always Get What You Want (Let It Bleed, 1969) e Satisfaction (Out of Our Heads, 1965) encerram aquilo que pode ser chamado, de forma bem clichê, de aula de rock’n’roll. A música contou com participação do coral da PUC-RS, que teve o seu talento reconhecido por Jagger: “Thank you, guys”. A segunda metade foi exatamente como é há muito tempo. Previsível? Sim, totalmente. Ruim? Podemos ter certeza de que ninguém que estava lá diria que foi algo próximo disso. Foi um encontro inesquecível, uma experiência irretocável, que não sairá da memória até o fim da vida. Para que mudar uma fórmula infalível que já levou milhões de pessoas ao redor do mundo a níveis inimagináveis de emoção e alegria?

Personificação do rock’n’roll

Sobreviventes de uma geração em que muitos morreram de overdose, que se decepcionou por não conseguir que o governo norte-americano desistisse da Guerra do Vietnã ou simplesmente caiu no esquecimento, os Rolling Stones são a personificação do rock’n’roll. Sendo indiscutivelmente os principais nomes em atividade no gênero, mesmo com décadas de estrada e com bandas saindo empolgadíssimas das garagens de Londres todos os anos, eles são um tapa na cara do rock bunda mole e engajado da atualidade. Comportados ao extremo e com visual muito ajeitadinho, mas sem conseguir enfileirar nem meia dúzia de discos realmente bons, daqueles que ouvimos inteiros sem pular nenhuma faixa, as bandas do fim do século passado e do começo do atual parecem crianças do jardim de infância diante dos fumantes inveterados Ronnie e Richards, preocupados apenas com a sua música, o nosso querido rock’n’roll.

Em shows como esse, cada cinco minutos parecem ser dois meses, de tão intensos que são vividos. Que saudades dos anos que passamos juntos ontem, Keith, Mick, Ron e Charlie. Voltem para trazer mais e mais rock’n’roll. Porto Alegre e o Brasil estão precisando. Obrigado por terem nos dado um banho de juventude, disposição, lágrimas e chuva.

rs-banner